QUANDO A SUA PRESENÇA FAZ A DIFERENÇA, OS ASTROS AGRADECEM DIFERENÇA, OS ASTROS AGRADECEM

QUANDO A SUA PRESENÇA FAZ A DIFERENÇA, OS ASTROS AGRADECEM DIFERENÇA, OS ASTROS AGRADECEM 


Por José Norberto 


Há lugares onde a poesia não habita apenas os livros. Ela repousa nas paredes, 

percorre os corredores, dança entre as árvores e perfuma o ar. Assim é a Casa de 

Carlos Drummond de Andrade, onde o lirismo parece desprender-se das pedras e 

misturar-se ao aroma das flores, das ervas e das inúmeras plantas que povoam o seu 

quintal, transformando cada visita em uma experiência de rara sensibilidade. 


Quando uma escola atravessa o portão da Casa de Drummond, não chega apenas um 

grupo de estudantes. Chegam sonhos, curiosidades, sorrisos e o encantamento de 

quem descobre que a literatura pode ser tocada, sentida e vivida. 


Receber esses jovens é um privilégio que renova nossas esperanças. Cada olhar 

atento, cada pergunta curiosa, cada expressão de surpresa diante da história do poeta 

faz florescer a certeza de que a cultura continua encontrando caminhos para 

permanecer viva. 


É profundamente gratificante acolher escolas vindas de outras cidades. Elas chegam 

trazendo consigo o brilho da descoberta e partem levando na bagagem um pouco da 

alma itabirana. Quando essa visita se integra a projetos de valorização da arte, da leitura 

e do patrimônio cultural, o momento ganha ainda maior significado, transformando-se 

numa celebração da memória e da educação. 


Mas há uma emoção que possui um sabor especial. 


Ela acontece quando batem à nossa porta os alunos da Escola Coronel José Batista, 

do Colégio Nossa Senhora do Rosário, do AUGE e agora recentemente da Maple Bear 

Itabira, ou de tantas outras instituições de ensino da nossa cidade. Nesse instante, 

sentimos que a Casa reencontra seus próprios filhos. O patrimônio volta a dialogar com 

aqueles que crescerão tendo Drummond como parte de sua identidade. 


Para essas crianças, e igualmente para nós, o dia torna-se inesquecível. 


Os risos espalham-se pelos jardins como se conversassem com os pássaros. A leve 

brisa transporta o perfume das flores, enquanto as árvores parecem inclinar seus galhos 

para acompanhar cada passo dos visitantes. Tudo se harmoniza: a arquitetura, o quintal, 

os canteiros, as pedras, a memória e a poesia. 


É impossível medir a grandeza desse encontro. 


Nosso empenho se multiplica naturalmente, porque ele nasce do afeto. Não é apenas 

uma visita guiada; é um gesto de entrega, de amor à cultura, de respeito à história e de 

compromisso com as futuras gerações. 


Cada primeira visita transforma-se numa festa silenciosa da alma. A emoção encontra 

morada nos olhos atentos das crianças, e o tempo parece desacelerar para que todos 

possam ouvir, mesmo sem palavras, a voz serena da poesia atravessando os ambientes 

da Casa. 


São encontros que permanecem para sempre na memória. 


Ali, arte, educação, natureza e cultura caminham de mãos dadas. E talvez seja 

justamente por isso que, a cada grupo que chega, a Casa parece respirar mais 

profundamente, as flores exalam um perfume ainda mais intenso, e até os astros, do 

alto de sua infinita contemplação, parecem sorrir em agradecimento. 

justamente por isso que, a cada grupo que chega, a Casa parece respirar mais 

profundamente, as flores exalam um perfume ainda mais intenso, e até os astros, do 

alto de sua infinita contemplação, parecem sorrir em agradecimento. 


Porque quando uma criança encontra a poesia, quando a cultura encontra novos 

corações e quando a memória continua viva através das novas gerações, toda a 

humanidade se torna um pouco melhor. 


E, nesse instante, os astros realmente agradecem. 


Autoria: José Norberto é itabirano, contador de histórias, funcionário da FCCDA. 


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